Entre 16 e 20 de junho de 2026, Renan Santos realizou uma viagem de campanha pelo estado do Pará que gerou uma sequência coerente de vídeos — pelo menos 8 em 5 dias. Mais do que uma simples agenda eleitoral, a viagem funciona como um diagnóstico ambulante do “Brasil profundo”: Renan visita lugares que sintetizam, cada um à sua maneira, as contradições e os fracassos do Estado brasileiro — e propõe soluções a partir do que vê.

O Pará é um microcosmo do diagnóstico de Renan: um estado riquíssimo em recursos naturais (o maior aquífero do mundo, a maior floresta tropical, terras agricultáveis, hidrovias estratégicas) que convive com o pior IDH do país em Melgaço, a maior cidade brasileira sem saneamento (Santarém), estradas intransitáveis, e uma capital que acumula lixo nas ruas. A viagem visita cada uma dessas faces da mesma moeda.


Roteiro da viagem

A cronologia abaixo segue a sequência de vídeos publicados, que corresponde aproximadamente ao roteiro geográfico da viagem.

16 de junho — Belterra e Alter do Chão

Belterra: Renan visita a cidade planejada construída pela Ford em 1934, após o fracasso de Fordlândia. Destaca a preservação urbana — hidrantes originais de Michigan ainda em funcionamento, calçadas dos anos 1930 intactas — como prova de que “bom investimento em infraestrutura gera cultura cívica.” A lição que extrai: cidades bem cuidadas produzem cidadãos que cuidam delas. Belterra serve de inspiração para sua promessa de “reurbanizar o país.”

Ver 2026-06-16 - Eu visitei uma das cidades construídas pela Ford no estado do Pará.

Alter do Chão: Renan visita o maior aquífero do mundo — mas documenta que Santarém, a cidade vizinha, é a maior cidade brasileira sem saneamento básico. Expõe o paradoxo: a maior reserva de água doce do planeta ao lado de uma população sem acesso a água potável. Critica a gestão da Família Barbalho e a taxação de poços artesianos pela concessionária paraense.

Ver 2026-06-16 - Eu fui no maior aquífero do mundo.


17 de junho — Santarém e região

Hidrovia Cargill: Em Santarém, Renan denuncia o bloqueio da hidrovia da Cargill por um grupo indígena articulado com o PT e ONGs internacionais — que impede o escoamento da produção agrícola. Critica a FUNAI e promete acabar com “demarcações fraudulentas” que travam a infraestrutura do país.

Ver 2026-06-17 - Índios vagabundos estão sabotando o país.

ICMBio: Renan apoia a denúncia de Richard Rasmussen contra o ICMBio no Pará. Classifica os órgãos ambientais (ICMBio, IBAMA, FUNAI) como “inimigos do produtor rural” que desapropriam pequenos agricultores sem justificativa. Anuncia 4 propostas para proteger pequenos produtores.

Ver 2026-06-17 - O Richard Rasmussen avisou, a ICMBio precisa PARAR.

Ferrogrão: Da BR-163, Renan denuncia o estado deplorável da estrada de escoamento agrícola e a sabotagem do projeto da Ferrogrão — ferrovia que substituiria milhares de caminhões — por ONGs, PSOL e STF.

Ver 2026-06-15 - Quando a Ferrogrão vai sair do papel.


18 de junho — Fordlândia

Renan visita Fordlândia, a cidade fantasma construída pela Ford em 1928 e abandonada após o fracasso do projeto de borracha na Amazônia. Narra a história como lição sobre choque cultural, autossabotagem e fracasso de projetos de desenvolvimento na Amazônia. A cidade fantasma funciona como metáfora de um padrão histórico: projetos ambiciosos que naufragam pela combinação de corrupção, incompetência e distância entre planejadores e executores.

Ver 2026-06-18 - Você já ouviu falar em Fordlandia.


19 de junho — Melgaço (PA)

Renan visita Melgaço, a cidade de pior IDH do Brasil (0,418), na região do Marajó. Documenta a situação de uma senhora que vive em palafita sem água potável nem esgoto, com oito crianças na casa sofrendo de diarreia e verminose. A cena é o contraponto mais dramático da viagem.

A crítica de Renan tem dois alvos: (1) a proposta de criar a Universidade Federal do Marajó, que ele classifica como “piada” — uma universidade num município onde as crianças não têm saneamento nem educação básica; (2) a ausência do poder público, que permite que a situação perdure por gerações.

Conclui defendendo a evacuação de áreas de palafita e a implantação de uma lei de responsabilidade gerencial que puna prefeitos que não garantem condições mínimas.

Ver 2026-06-19 - Essa é a água que essa senhora toma..


20 de junho — Marajó e Belém

Ecofazenda no Marajó: Renan visita uma ecofazenda sustentável no arquipélago do Marajó que combina agricultura com floresta — produz cacau (livre da vassoura-de-bruxa), café na Amazônia e tem sistema próprio de compostagem. O modelo é de fazenda-escola: os trabalhadores são treinados para se tornar autossustentáveis. O projeto foi financiado por um investidor norte-americano (Deric Galo, do projeto Rios Voadores).

Renan contrasta este modelo com o abandono da ilha (prostituição infantil, pobreza extrema) e apela por mais projetos como este como alternativa ao “assistencialismo barato.”

Ver 2026-06-20 - Como esse exemplo pode salvar Marajó.

Belém: Renan mostra uma rua de Belém servindo de depósito de lixo. Após sua denúncia, a prefeitura envia uma retroescavadeira para limpeza — o “Efeito Renan Santos.” O episódio ilustra sua tese de que a presença e a fiscalização são capazes de gerar resposta do poder público, mesmo que temporária.

Ver 2026-06-20 - Efeito Renan Santos em Belém!.

Haiti como alerta: Ainda do Pará, Renan grava um vídeo sobre o Haiti — 90% de Porto Príncipe sob controle de facções, 200 mil haitianos refugiados no Brasil — como lição do que acontece quando o Estado é capturado pelo crime organizado. O paralelo com as favelas brasileiras e com o Maranhão é explícito.

Ver 2026-06-20 - O que podemos aprender com o Haiti.


Síntese: o que a viagem revela

A viagem ao Pará não é uma agenda eleitoral convencional. Renan não visita feiras, não discursa em palanques, não faz compromissos com lideranças locais (com exceção da crítica aberta à Família Barbalho). Em vez disso, a viagem funciona como uma reportagem de campo — Renan age como repórter-candidato, documentando pessoalmente cada problema e propondo soluções na hora.

Os 4 diagnósticos recorrentes

  1. Abandono do Estado — Melgaço (pior IDH), Santarém (sem saneamento), Belém (lixo na rua). O poder público simplesmente não chega.

  2. Sabotagem do desenvolvimento — ICMBio bloqueia produtores, FUNAI permite bloqueio de hidrovia, STF trava Ferrogrão. O Estado que deveria viabilizar o desenvolvimento é seu principal obstáculo.

  3. Potencial desperdiçado — Maior aquífero do mundo, maior floresta tropical, hidrovias estratégicas, terras férteis — tudo subutilizado por má gestão e corrupção.

  4. Soluções existem mas não são replicadas — Belterra (urbanismo planejado preservado), ecofazenda do Marajó (cacau e café sustentáveis), “Efeito Renan” (fiscalização gera resposta). Os exemplos positivos mostram que é possível fazer diferente, mas ninguém os leva a escala.

A estratégia de campanha

A viagem também revela a estratégia de Renan para se diferenciar: enquanto a imprensa e os adversários fazem campanha nos estúdios e palanques tradicionais, ele vai a lugares que outros candidatos não vão, documenta problemas que outros ignoram, e propõe soluções no momento em que os encontra. O contraste entre Renan (“vida de pré-candidato pobre: 12 horas de barco”) e as festas de Vorcaro (“jatinhos para prostitutas”) é um eixo narrativo que ele explora conscientemente.

Pessoas e temas relacionados

Fontes consultadas (cronológico decrescente)