Recursos Hídricos e Saneamento
Renan Santos recorre ao paradoxo do Brasil como potência hídrica mundial que não consegue levar água potável e saneamento básico à sua própria população para criticar a gestão política dos recursos naturais e a perpetuação da desigualdade por oligarquias regionais.
Vergel do Lago (Maceió): Alagoas diminuindo a cobertura de esgoto (agosto de 2026)
Em 23 de agosto de 2026, Renan grava do Vergel do Lago, bairro de Maceió, para responder ao desafio de Arthur Lira sobre Alagoas. Ele documenta o córrego que “vive alagando”, a ponte destruída “inclusive pela própria prefeitura”, o abandono de lixo, a urbanização precária e a falta de saneamento básico.
Renan afirma que Alagoas diminuiu sua cobertura de esgoto nos últimos anos — “é isso que você tá ouvindo” — apesar de ser, proporcionalmente, um dos estados que mais recebe dinheiro das emendas do orçamento secreto, recursos que classifica como “em grande medida roubados” e que “nada se reverte em coisas boas para as pessoas”. Ele critica o fato de obras de saneamento não serem privilegiadas porque “ficam debaixo da terra” e, portanto, não geram visibilidade política. O caso reforça sua proposta de lei de responsabilidade gerencial com metas de saneamento (ver Emendas Parlamentares Condicionadas a Metas). Ver 2026-08-23 - Respondi a um desafio do Arthur Lira.
Jurunas (Belém): esgoto a céu aberto na capital da COP30 (junho de 2026)
Em 21 de junho de 2026, Renan visita a favela do Jurunas, em Belém (PA), e documenta esgoto e córrego a céu aberto, alagamentos constantes e lixo acumulado nas ruas. Ele lembra que Belém é a capital brasileira com o menor índice de saneamento básico e que mais da metade da população vive em favelas — contradição exposta pela COP30, realizada na cidade em novembro de 2025.
Renan compara os valores: a COP30 custou R$ 4 bilhões; com R$ 3 bilhões seria possível desfavelizar e levar saneamento a todo o Pará. Moradores confirmam que a prefeitura só age quando exposta publicamente — após Renan gravar um story sobre o local, a limpeza foi feita. Um morador, porém, nota que a população também contribui para o problema ao jogar lixo de volta.
“A COP30 gastou mais de 4 bilhões. Precisaria de 3 bilhões para desfavelizar e colocar saneamento para todas essas pessoas. Por que que essa foi uma escolha? Porque a COP e não as pessoas.”
Ver 2026-06-21 - Eu fui na favela de Jurunas, em Belém.
Melgaço (PA): o pior IDH do Brasil e a completa ausência de saneamento (junho de 2026)
Em 19 de junho de 2026, Renan visita Melgaço (PA), cidade que descreve como tendo o pior IDH do Brasil. Em uma palafita, ele documenta a vida de uma mãe de 46 anos com oito filhos que consomem água completamente contaminada — todos os filhos têm diarreia toda semana e um menino de seis anos foi diagnosticado com verminose causada pela água.
O cenário ao redor inclui: pessoas defecando no chão, animais andando sobre fezes, lixo acumulado nos “banheiros” que será levado pela enchente. Renan classifica a situação como “uma das coisas mais desumanas que você pode ver” e critica a naturalização da pobreza extrema por parte do poder público, que faz campanha eleitoral no local mas não resolve os problemas estruturais.
“Tem gente que acha que é uma característica cultural que agrega a paisagem você morar desta maneira nesse lugar. Eu não acho.”
Renan defende que todo o bairro de palafitas deve ser evacuado e que favela de palafita tem que deixar de existir. Ele propõe a lei de responsabilidade gerencial como mecanismo para forçar políticos a resolverem esses problemas sob pena de inelegibilidade.
Contrapõe a situação à proposta de Lula de criar uma Universidade Federal do Marajó: “num local em que as pessoas mal conseguem ler e escrever.”
Ver 2026-06-19 - Essa é a água que essa senhora toma..
Alter do Chão: o maior aquífero do mundo sem água para beber (junho de 2026)
Em 16 de junho de 2026, Renan visita Alter do Chão (PA) e mostra o que descreve como o maior reservatório de água doce do mundo — com o dobro do tamanho do Aquífero Guarani. Ele afirma que a reserva seria capaz de abastecer o mundo por 21 anos ininterruptos.
No entanto, Santarém — maior cidade próxima, com aproximadamente 330.000 habitantes — é a maior cidade do Brasil sem saneamento básico: apenas 3% com saneamento e 40% com acesso à água potável. A concessionária paraense de águas passou a taxar moradores que têm poço artesiano em suas próprias casas.
Renan conecta o problema ao domínio da Família Barbalho, que trata o Pará como “colônia de exploração”, e à pressão exercida pela COP30 — que forçou o governo a buscar parceria privada para saneamento em meio a críticas internacionais.
Ver 2026-06-16 - Eu fui no maior aquífero do mundo.
Açu (RN): o aquífero que ninguém perfura (fevereiro de 2026)
Em 2 de fevereiro de 2026, Renan visita Açu, no Vale do Açu (RN) — cidade assentada sobre um dos maiores aquíferos do Brasil que, paradoxalmente, enfrenta escassez de água. Moradores usam olarias e produção agrícola no entorno de um lençol freático capaz de abastecer toda a região, mas o poder público “preguiçoso” nunca perfurou o aquífero.
Uma comunidade local, Panguaçu, já iniciou extração de água e criação de plantação comunitária com a equipe do Projeto Leve Poços — com previsão de tornar o lugar “todo verde” em três meses. O custo do projeto privado foi menor do que o valor de uma única emenda parlamentar recebida pelo município — que nunca resolveu o problema.
“Se político deixar de ser vagabundo e as pessoas souberem cobrar, os problemas são resolvidos.”
Ver 2026-02-02 - A CIDADE DO NORDESTE QUE DERROTOU O CRIME e Desigualdade Regional e Migração Interna.
Posições relacionadas
- Intervenção Federal em Estados com Baixo IDH — proposta de intervenção em municípios sem capacidade de entregar serviços básicos como água e saneamento
- Emendas Parlamentares Condicionadas a Metas — propostas de vincular repasses a indicadores de saneamento e acesso à água
- Fusão de Municípios — fusão como forma de viabilizar economicamente obras de infraestrutura hídrica
Fontes
- 2026-08-23 - Respondi a um desafio do Arthur Lira — Vergel do Lago (Maceió); queda da cobertura de esgoto em Alagoas; emendas secretas sem reversão em saneamento
- 2026-06-21 - Eu fui na favela de Jurunas, em Belém — Jurunas (Belém); esgoto a céu aberto; R$ 4 bi da COP vs. R$ 3 bi para saneamento; capital com pior saneamento do Brasil
- 2026-06-19 - Essa é a água que essa senhora toma. — Melgaço (PA); pior IDH do Brasil; palafita sem água nem esgoto; oito filhos com diarreia e verminose; crítica à Universidade Federal do Marajó; lei de responsabilidade gerencial
- 2026-06-16 - Eu fui no maior aquífero do mundo — Alter do Chão (PA); maior aquífero do mundo; paradoxo de Santarém; taxação de poços artesianos; crítica aos Barbalhos
- 2026-02-02 - A CIDADE DO NORDESTE QUE DERROTOU O CRIME — Açu (RN); aquífero sem água; Projeto Leve Poços
