Durante a viagem de pré-campanha pelo Maranhão em abril de 2026, Renan Santos apresenta o Matopiba — a região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e oeste da Bahia — como o principal eixo de desenvolvimento que propõe para o Nordeste. O agronegócio aparece nos vídeos não como pauta setorial, mas como resposta estrutural aos problemas de pobreza, dependência de transferências federais e compra de votos no interior.

Açaí do Pará: valor agregado e exportação de produto processado (junho de 2026)

Em 22 de junho de 2026, gravando no Pará, Renan usa o açaí como caso exemplar de produto amazônico com potencial de gerar riqueza via processamento e exportação. As exportações de açaí saltaram de aproximadamente 300 mil reais para mais de 150 milhões de reais em poucos anos, mas ainda representam menos de 10% da produção total.

Renan defende que o Brasil adote uma política de promoção de exportações de produtos nacionais, vendendo o açaí já processado (não a matéria-prima bruta), criando marcas globais e usando chefs de cozinha como embaixadores. Alerta que, sem isso, o açaí pode ser apropriado por outras nações como ocorreu com a castanha de caju.

Ele também cobra crédito e condições para formação de cooperativas entre ribeirinhos, e critica as restrições ambientais que, segundo ele, atrapalham o desenvolvimento da cadeia produtiva.

“Gostos à parte, a questão é que o mundo tá se viciando na versão doce do açaí. (…) Caso o açaí caia no gosto global, essa fruta vai deixar de ser um mero fruto e vai se tornar pepita de ouro.”

Ver 2026-06-22 - Virei um apanhador de açaí no Pará! e Gastrodiplomacia e Promoção Internacional da Culinária Brasileira.

Cargill e o bloqueio indígena em Santarém (junho de 2026)

Em 17 de junho de 2026, gravando em Santarém (PA), Renan mostra a estrutura de escoamento de grãos da Cargill que conecta a produção do Centro-Oeste ao mercado internacional via hidrovia e Canal do Panamá. Denuncia que a expansão da hidrovia foi barrada por um grupo indígena articulado com o PT — uma etnia que, segundo ele, teria desaparecido no século XVII e “reaparecido” com o governo petista. Renan critica FUNAI, PSOL e ONGs internacionais pelo bloqueio e promete acabar com a “farra” de demarcações fraudulentas que impedem obras de infraestrutura.

Ver 2026-06-17 - Índios vagabundos estão sabotando o país.

ICMBio e a perseguição a pequenos produtores no Pará (junho de 2026)

Em 17 de junho de 2026, Renan denuncia a atuação do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) no Pará, que cria reservas ambientais desapropriando pequenos produtores rurais sem indenização justa e depois os expulsa de “zonas de amortecimento” de quilômetros ao redor das reservas. Relata uma rebelião de agricultores que recuperaram o gado tomado pelo órgão.

“Não tô falando aqui de grandes latifundiários, tô falando de pequenos produtores rurais que estão perdendo tudo por conta dessa gente maldita.”

Anuncia 4 propostas: (1) suspender novas expropriações e demarcações até que indenizações sejam pagas, (2) proteger ocupantes atuais nas terras, (3) usar a AGU contra agentes do ICMBio que perseguirem moradores, (4) reduzir zonas de amortecimento para no máximo 400 metros de reservas já estabelecidas.

Ver 2026-06-17 - O Richard Rasmussen avisou, a ICMBio precisa PARAR.

Cinturão verde e transferência tecnológica com o Japão (junho de 2026)

Em 12 de junho de 2026, Renan mostra uma máquina agrícola automatizada japonesa utilizada para plantio de hortaliças (cebolinha) e denuncia que o pequeno agricultor brasileiro — o produtor do chamado cinturão verde (alface, agrião, cebola, tomate) — está quebrando por endividamento, alterações trabalhistas e custo da mão de obra. A máquina custa cerca de 4.000 ienes no Japão, mas chega ao Brasil a dezenas de milhares de reais devido a impostos de importação e falta de financiamento.

Ele cita Saito, um nipo-brasileiro que se tornou o maior produtor de cebolinha do Japão, usando estas máquinas com alta produtividade — modelo que não seria viável no Brasil com a carga tributária atual.

Renan propõe eliminar impostos sobre toda máquina que aumente a produtividade do trabalhador brasileiro (agrícola ou não), como meta de primeiro ano de governo. Traça paralelo com a Embrapa — fruto de cooperação Brasil-Japão que resolveu o solo do Cerrado — e propõe nova revolução no cinturão verde para gerar milhares de empregos e baratear a comida.

“Eu vou tirar os impostos de todas as máquinas agrícolas ou não, que aumentem a produtividade do trabalhador brasileiro. Isso é uma meta que eu já vou colocar no primeiro ano da minha gestão.”

Ver 2026-06-12 - Vamos transformar o agro brasileiro com tecnologia japonesa.

Robótica no agro: fábrica de robôs em Americana (junho de 2026)

Em 8 de junho de 2026, Renan visita em Americana (SP) a única fábrica de robôs do Brasil, voltada à produção de robôs para moendas de cana-de-açúcar. O caso ilustra a tese de que o agro brasileiro é tecnológico e de alta produtividade.

Antes da automação, dezenas de trabalhadores morriam por ano moídos pelo maquinário que soldavam manualmente. A solução — desenvolvida por um engenheiro e um empreendedor brasileiros — eliminou a mortandade, aumentou a produtividade e gerou uma tecnologia que não existe nos Estados Unidos. A fábrica já exporta para o sudeste asiático e se prepara para entrar no mercado americano.

Renan usa o caso para argumentar que, quando o governo não atrapalha, brasileiros são capazes de competir globalmente com inovação de ponta.

Ver 2026-06-08 - A única fábrica de robô do Brasil.

A tese

Renan argumenta que, dentro do próprio Maranhão, o sul agrícola já tem PIB per capita muito maior que o norte, onde está a capital São Luís. A produção de milho no sul alimenta três cadeias simultaneamente: etanol (combustível), ração animal (queijo, leite, carne, frango) e, potencialmente, biodiesel. É a partir desse milho — diz ele — que “acaba o Bolsa Família” e “as pessoas saem da dependência do Estado”.

A refinaria da Inpasa em Balsas

Em Balsas (MA), Renan mostra a refinaria da Inpasa, que transforma milho em etanol exportado pelo Porto de Itaqui para os Estados Unidos, e também consumido internamente. Usa o caso como prova de que o modelo funciona na prática:

“Combustível é moeda global. (…) Preços mais baratos na bomba, menos dependência do petróleo internacional e maior autonomia para os motoristas.”

Destaca também o salto em empregos de química fina — “altíssima qualidade” — e defende que o “livro amarelo” do MBL já traz a instalação de refinarias na região como política estratégica.

As duas estratégias propostas

  1. Avanço da fronteira agrícola do sul para o centro e norte do Maranhão, até as proximidades de São Luís.
  2. Atração de indústria de transformação que se aproprie dessa matéria-prima, gerando empregos qualificados, complexidade urbana e classe média.

Agro de alto valor agregado: a vinícola de São Joaquim (SC) (abril de 2026)

Em 24 de abril de 2026, Renan visita a Fazenda Suzin em São Joaquim (SC) — produtora de uva savinho blanco que fabrica o vinho Monteputiano Suzin (mais de R$ 230/garrafa). Usa o caso como exemplo de agro com alto valor agregado: diferente de commodities exportadas brutas, a uva é transformada em produto com marca, alto preço e mercado interno e externo.

Os obstáculos relatados pelo produtor:

  • O governo cobra mais imposto para produzir vinho no Brasil do que para importar de outros países — retirando competitividade do produto nacional.
  • Leis trabalhistas “absurdas” e perseguição do Ministério Público do Trabalho.
  • Falta de estradas e escoamento.

A tese: agroindústria de qualidade — com processamento, marca e exportação — gera emprego, renda e complexidade econômica. Renan usa o caso para criticar o discurso que trata o agro como “fácil” ou como privilégio de “multimilionários”.

Ver 2026-04-24 - Essa vinícola vai te mostrar todo o potencial do agro e Carga Tributária.

Condições necessárias

Renan enumera como pré-requisitos:

  • Segurança jurídica e crédito para o agricultor.
  • Estradas e ferrovias de qualidade — conectando com Infraestrutura e Estradas no Maranhão.
  • Boa administração do Porto de Itaqui para exportação.

Contraponto: a “industrialização sem indústria” de Camaçari

No mesmo período, Renan critica Camaçari (BA) como exemplo do modelo oposto: industrialização pilotada pelo governo petista com a BYD, em que os empregos são preenchidos por trabalhadores chineses trazidos em contêineres, enquanto a população local segue pobre e dependente do Bolsa Família. Ver 2026-04-08 - 400 milhões pra Camaçari.

A dependência externa de fertilizantes

Em vídeo de 5 de abril de 2026, Renan articula o que considera o flanco mais frágil do agro brasileiro: a dependência de importação de fosfato e potássio, num cenário em que Rússia, Irã, China e Oriente Médio concentram a produção mundial de fertilizantes. Com os conflitos na região, prevê meses críticos para o agro. A solução é nacional — abrir a exploração das reservas brasileiras no Ceará e na Amazônia — e depende de enfrentar as ONGs ambientais que bloqueiam o licenciamento. Ver 2026-04-05 - O agro brasileiro pode quebrar.

A Ferrogrão como gargalo logístico

Renan trata a Ferrogrão, paralisada no STF, como o outro gargalo crítico do agro. Oferece números: redução de 40% no frete, economia de R$ 8 bilhões ao ano, 100 mil postos de trabalho diretos e indiretos. A paralisação é atribuída a uma aliança entre PSOL, ONGs ambientalistas e “lobby gringo”. Ver 2026-04-07 - A ferrogrão está sendo sabotada e 2026-04-12 - Por que o PSOL é contra a ferrogrão.

Hidrovias bloqueadas: caminhoneiros presos por 8 dias

Em fevereiro de 2026 — antes da viagem ao Maranhão —, Renan já havia documentado um episódio que considera “sabotagem direta ao agro”. Um grupo indígena articulado pelo PSOL e financiado por ONG estrangeira invadiu instalações da Cargill na região norte, bloqueando a passagem de caminhões e impedindo o escoamento da produção agrícola. Resultado: 8 dias de caminhoneiros presos sem comida, carga perdida.

Após o protesto, o governo Lula emitiu decreto proibindo o uso da hidrovia em questão, obrigando os produtores a percorrer distâncias muito maiores por estradas esburacadas.

“No meu governo vai ter hidrovia em todos esses rios. E nós vamos escoar a produção do nosso agro pro mundo inteiro. E vagabundo europeu não vai interferir na nossa soberania.”

Ver 2026-02-25 - ÍNDIOS E PICARETAS DO PSOL ESTÃO SABOTANDO OS CAMINHONEIROS NA REGIÃO NORTE e Soberania Nacional e ONGs Estrangeiras.

Cooperativismo como modelo de desenvolvimento para o Nordeste (abril de 2026)

Em 22 de abril de 2026, em frente a uma cooperativa agrícola de Santa Catarina, Renan defende o modelo cooperativista como estratégia replicável para o Nordeste. SC lidera junto com RS e SP o ranking de cooperados do Brasil. As cooperativas permitem que pequenos produtores ganhem escala, compartilhem maquinário e tecnologia, obtenham crédito mais barato e acessem mercados maiores — vantagens que individualmente estariam fora do alcance de cada produtor. Renan defende incentivos para a criação de cooperativas no Nordeste como parte da agenda de desenvolvimento regional. Ver 2026-04-22 - As cooperativas de Santa Catarina são um exemplo para o Brasil.

Cacau no sul da Bahia: vassoura de bruxa e o papel do PT (maio de 2026)

Em 29 de maio de 2026, gravado no sul da Bahia, Renan apresenta o caso da lavoura cacaueira como exemplo histórico da destruição deliberada de uma cadeia produtiva por interesse político. A Bahia era a maior produtora mundial de cacau — com enorme potencial dado o mercado global crescente de chocolate e produtos de luxo. A região concentrava poder nas lideranças cacaueiras locais, o que representava um obstáculo ao crescimento eleitoral do PT.

A acusação de Renan: nos anos 1990, o PT ajudou a espalhar deliberadamente a “vassoura de bruxa” — fungo que destrói 80 a 90% da produção sem tratamento, e ainda 50% com tratamento. O objetivo teria sido destruir o poder político dos produtores. O resultado: invasões do MST, empobrecimento e favelização do Recôncavo e do sul da Bahia, ascensão do PT ao poder estadual em 2006 e dependência das populações locais do Bolsa Família. O homem que teria ajudado a espalhar a praga chegou a ser eleito prefeito de Itabuna.

A proposta de Renan como presidente: mobilizar a Embrapa e as universidades públicas especializadas em agropecuária para encontrar uma solução técnica definitiva para a vassoura de bruxa e recuperar a produção cacaueira baiana.

Ver 2026-05-29 - Como o PT ajudou a destruir o cacau no sul.

Fontes