Renan Santos comenta uma entrevista do ministro Gilmar Mendes à jornalista Renata Lopret em que o ministro afirma que o caso Banco Master “tem endereço na Faria Lima”, não na Praça dos Três Poderes. Renan interpreta a fala como uma tentativa de blindar o STF da investigação.
A fala do ministro
Renan reproduz o trecho em que Gilmar Mendes diz: “A mim me parece que a imprensa trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes. Eu, se fosse buscar o endereço do caso Vorcaro ou do caso master, eu veria ele na Faria Lima.”
Para Renan, o recado é direto à imprensa: o ministro estaria sinalizando que a cobertura deve se concentrar no mercado financeiro e não no STF.
A leitura de Renan
Renan argumenta que a influência do Banco Master na Faria Lima se deu justamente pelos contatos políticos do banco — primeiro no PT da Bahia, depois no governo Bolsonaro, depois no STF, depois no governo Lula. O STF, segundo ele, era “a cereja do bolo”: garantia a impunidade do esquema todo. Por isso, diz, o banco criou relações financeiras próximas com ministros, citando o contrato milionário da esposa de Alexandre de Moraes.
A fala de Gilmar, em sua leitura, “soa quase como uma ameaça” à imprensa. Renan a compara a declarações recentes do ministro sobre o senador Alessandro Vieira (“esse cara aí não pode me investigar, isso aqui não pode chegar na gente”) e a uma reação “desproporcional” a um vídeo do governador Romeu Zema.
Diagnóstico sobre Gilmar e o STF
Renan descreve Gilmar Mendes como “talvez o ministro mais inteligente, com a melhor formação” do tribunal, mas que agora demonstra “sinais de uma fraqueza não só intelectual, mas uma fraqueza emocional”. Ele se teria tornado “o porta-voz do STF” — um tribunal “completamente louco e fora da realidade” que “acha que tem uma dimensão imperial”.
“Este tipo de postura não apenas não combina com a Suprema Corte, esse tipo de postura tem que ser rechaçada. Ela é autoritária e ela é sintomática de um poder que vai precisar ser colocado de volta na sua caixa.”
Para enfrentar isso, diz, será preciso “liderança forte, sem rabo preso”, que não ande com “vagabundos como os membros da família Bolsonaro ou do petismo, que são aliados ou tão na mão do STF”.
