Sebastianismo é o fenômeno cultural originado em Portugal após a Batalha de Alcácer Quibir (1578), quando o rei Dom Sebastião morreu em combate contra forças marroquinas lideradas pelo sultão Abu Maruan. A população portuguesa, traumatizada pela derrota e subsequente dominação espanhola, passou a acreditar que o rei não havia morrido, mas desaparecido, e que um dia retornaria para restaurar a glória de Portugal.
Renan Santos aborda esse conceito como chave para entender a cultura política brasileira, especialmente a tendência a aguardar líderes messiânicos ou salvadores.
”A afirmação da nossa geração”: a missão geracional (agosto de 2026)
Em 5 de agosto de 2026, Renan profere discurso em que apresenta o Partido Missão não como reação aos adversários, mas como afirmação de um projeto próprio: “Nós não somos a negação dos demais, nós somos a afirmação da nossa geração.” Ele narra a construção do partido “com as próprias ideias, com as próprias cores, com o próprio sonho, com a própria imaginação” e afirma que, se sua geração não criasse o próprio caminho, “o pesadelo da geração deles” continuaria pautando o país. O discurso combina a linguagem de missão coletiva com a recusa do rótulo de “terceira via” — a geração não se define por oposição, mas por destino próprio.
Ver 2026-08-05 - Nós construímos nosso próprio caminho.
”Nós somos os escolhidos”: o messianismo da própria campanha (agosto de 2026)
Em 4 de agosto de 2026, Renan profere um discurso de tom messiânico sobre sua própria campanha: “O destino sempre foi nosso. Nós somos o grupo escolhido. Somos nós, os escolhidos. O destino quis que fôssemos escolhidos.” Ele descreve os 12 anos de movimento político como um período de “cancelamentos”, “destruições de reputações” e “derrota cantada por todos os adversários da esquerda, da direita”.
No dia anterior (2026-08-03 - Se você não é ladrão nem oportunista, vem com a gente), Renan já havia afirmado: “Nós somos o sonho da nossa geração e o destino da nossa geração é governar o Brasil” — e que os adversários “farão tudo para sufocar a gente”. A linguagem do “destino”, do “grupo escolhido” e do “sonho da geração” aproxima a narrativa da própria campanha do fenômeno que Renan descreve como sebastianismo: a expectativa de um grupo predestinado a salvar o país.
Ver 2026-08-04 - Nós somos os escolhidos.
O mito chega ao Brasil
Segundo Renan, o Sebastianismo atravessou o oceano com as caravelas e se estabeleceu no Brasil, particularmente no Nordeste. Gerou canções, literatura de cordel e até seitas baseadas na ideia do retorno de Dom Sebastião. A Igreja Católica e políticos locais tiveram que combater essa crença nos sertões. Renan identifica reflexos do Sebastianismo na Revolução de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro (2026-06-13 - E se Marrocos derrotar o Brasil hoje).
Coronelismo messiânico no Nordeste
Renan afirma que políticos locais do Nordeste exploram o messianismo através de um “coronelismo quase messiânico” — uma forma de dominação política que se vale da expectativa popular por um líder redentor (2026-06-13 - E se Marrocos derrotar o Brasil hoje).
Lula e Bolsonaro como lideranças messiânicas
Renan argumenta que figuras nacionais como Lula e, depois, Jair Bolsonaro “se aproveitaram para serem hegemônicos durante as eleições” explorando a tendência messiânica do eleitorado brasileiro. Ambos teriam se beneficiado do fenômeno cultural do Sebastianismo — a disposição do povo a depositar esperanças de salvação em um líder (2026-06-13 - E se Marrocos derrotar o Brasil hoje).
Pergunta em aberto
Renan levanta a questão: “Será que o brasileiro aguarda hoje um novo Dom Sebastião para destruir o crime organizado?” — conectando o fenômeno histórico aos desafios contemporâneos de segurança pública (2026-06-13 - E se Marrocos derrotar o Brasil hoje).
Posições relacionadas
- Desfavelização do Brasil — conexão com combate ao crime organizado
- Estado de Defesa e Direito Penal do Inimigo — enfrentamento estrutural ao crime
Fontes
- 2026-06-13 - E se Marrocos derrotar o Brasil hoje — Renan explica o Sebastianismo e sua influência na política brasileira, a partir do gancho do jogo Brasil x Marrocos pela Copa do Mundo de 2026
