Renan Santos, no dia 13 de junho de 2026 (data do jogo Brasil x Marrocos pela Copa do Mundo), usa o confronto como gancho para apresentar o conceito histórico e cultural do Sebastianismo e sua influência na política brasileira. O vídeo inaugura uma série chamada “Países da Copa”, sobre a relação política e cultural entre os países participantes e o Brasil.
A Batalha de Alcácer Quibir e a queda de Portugal
Renan conta que no século X, o sultão marroquino Abu Maruan liderou um exército de 100 mil homens que derrotou a elite portuguesa na Batalha de Alcácer Quibir (1578), matando o jovem rei Dom Sebastião. Portugal, que era então uma das grandes nações do mundo — controlava rotas comerciais com as Índias e havia assinado o Tratado de Tordesilhas — jamais se recuperou. Com a morte do rei, Portugal passou a fazer parte da Espanha.
O Sebastianismo: o mito do líder salvador
A população portuguesa, humilhada pela dominação espanhola, passou a cultivar o mito de que Dom Sebastião não havia morrido, mas sim desaparecido, e que um dia retornaria para trazer a glória de volta a Portugal. Esse fenômeno cultural, chamado Sebastianismo, atravessou o oceano e se estabeleceu no Brasil, especialmente no Nordeste.
Renan afirma que o Sebastianismo gerou canções, literatura de cordel e até seitas baseadas na ideia do retorno de Dom Sebastião. A Igreja Católica e políticos locais tiveram que combater essa crença nos sertões. Ele identifica reflexos do Sebastianismo na Revolução de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro.
A influência na política brasileira contemporânea
De maneira mais ampla, Renan argumenta que o Sebastianismo fez o brasileiro esperar por um “Messias, um líder redentor” que tirasse dele a responsabilidade de resolver seus próprios problemas. Ele conecta esse fenômeno a:
- Coronelismo nordestino — políticos locais que exploram esse messianismo de forma “quase messiânica”
- Lula e Bolsonaro — figuras nacionais que, segundo Renan, “se aproveitaram para serem hegemônicos durante as eleições” explorando essa tendência
Renan conclui com a pergunta: “Será que o brasileiro aguarda hoje um novo Dom Sebastião para destruir o crime organizado?” — deixando a questão em aberto enquanto torce pela seleção brasileira contra Marrocos.
Temas abordados
- Sebastianismo e Messianismo Político — análise do messianismo como fenômeno cultural e político brasileiro
- Desigualdade Regional e Migração Interna — menção ao Nordeste como região onde o Sebastianismo mais se enraizou
- Crítica à Direita Tradicional — Bolsonaro mencionado como exemplo de liderança messiânica
Pessoas mencionadas
- Dom Sebastião — rei de Portugal morto na batalha de Alcácer Quibir; figura central do mito sebastianista
- Abu Maruan — sultão de Marrocos do século X que liderou a vitória sobre Portugal
- Antônio Conselheiro — líder de Canudos; movimento com influência sebastianista
- Lula — mencionado como exemplo de líder que explorou o messianismo eleitoral
- Jair Bolsonaro — mencionado como exemplo de líder que explorou o messianismo eleitoral
Posições defendidas
- Desfavelização do Brasil — conexão implícita com a pergunta final sobre combate ao crime organizado
