Recursos Hídricos e Saneamento

Renan Santos recorre ao paradoxo do Brasil como potência hídrica mundial que não consegue levar água potável e saneamento básico à sua própria população para criticar a gestão política dos recursos naturais e a perpetuação da desigualdade por oligarquias regionais.

Jurunas (Belém): esgoto a céu aberto na capital da COP30 (junho de 2026)

Em 21 de junho de 2026, Renan visita a favela do Jurunas, em Belém (PA), e documenta esgoto e córrego a céu aberto, alagamentos constantes e lixo acumulado nas ruas. Ele lembra que Belém é a capital brasileira com o menor índice de saneamento básico e que mais da metade da população vive em favelas — contradição exposta pela COP30, realizada na cidade em novembro de 2025.

Renan compara os valores: a COP30 custou R$ 4 bilhões; com R$ 3 bilhões seria possível desfavelizar e levar saneamento a todo o Pará. Moradores confirmam que a prefeitura só age quando exposta publicamente — após Renan gravar um story sobre o local, a limpeza foi feita. Um morador, porém, nota que a população também contribui para o problema ao jogar lixo de volta.

“A COP30 gastou mais de 4 bilhões. Precisaria de 3 bilhões para desfavelizar e colocar saneamento para todas essas pessoas. Por que que essa foi uma escolha? Porque a COP e não as pessoas.”

Ver 2026-06-21 - Eu fui na favela de Jurunas, em Belém.

Melgaço (PA): o pior IDH do Brasil e a completa ausência de saneamento (junho de 2026)

Em 19 de junho de 2026, Renan visita Melgaço (PA), cidade que descreve como tendo o pior IDH do Brasil. Em uma palafita, ele documenta a vida de uma mãe de 46 anos com oito filhos que consomem água completamente contaminada — todos os filhos têm diarreia toda semana e um menino de seis anos foi diagnosticado com verminose causada pela água.

O cenário ao redor inclui: pessoas defecando no chão, animais andando sobre fezes, lixo acumulado nos “banheiros” que será levado pela enchente. Renan classifica a situação como “uma das coisas mais desumanas que você pode ver” e critica a naturalização da pobreza extrema por parte do poder público, que faz campanha eleitoral no local mas não resolve os problemas estruturais.

“Tem gente que acha que é uma característica cultural que agrega a paisagem você morar desta maneira nesse lugar. Eu não acho.”

Renan defende que todo o bairro de palafitas deve ser evacuado e que favela de palafita tem que deixar de existir. Ele propõe a lei de responsabilidade gerencial como mecanismo para forçar políticos a resolverem esses problemas sob pena de inelegibilidade.

Contrapõe a situação à proposta de Lula de criar uma Universidade Federal do Marajó: “num local em que as pessoas mal conseguem ler e escrever.”

Ver 2026-06-19 - Essa é a água que essa senhora toma..

Alter do Chão: o maior aquífero do mundo sem água para beber (junho de 2026)

Em 16 de junho de 2026, Renan visita Alter do Chão (PA) e mostra o que descreve como o maior reservatório de água doce do mundo — com o dobro do tamanho do Aquífero Guarani. Ele afirma que a reserva seria capaz de abastecer o mundo por 21 anos ininterruptos.

No entanto, Santarém — maior cidade próxima, com aproximadamente 330.000 habitantes — é a maior cidade do Brasil sem saneamento básico: apenas 3% com saneamento e 40% com acesso à água potável. A concessionária paraense de águas passou a taxar moradores que têm poço artesiano em suas próprias casas.

Renan conecta o problema ao domínio da Família Barbalho, que trata o Pará como “colônia de exploração”, e à pressão exercida pela COP30 — que forçou o governo a buscar parceria privada para saneamento em meio a críticas internacionais.

Ver 2026-06-16 - Eu fui no maior aquífero do mundo.

Açu (RN): o aquífero que ninguém perfura (fevereiro de 2026)

Em 2 de fevereiro de 2026, Renan visita Açu, no Vale do Açu (RN) — cidade assentada sobre um dos maiores aquíferos do Brasil que, paradoxalmente, enfrenta escassez de água. Moradores usam olarias e produção agrícola no entorno de um lençol freático capaz de abastecer toda a região, mas o poder público “preguiçoso” nunca perfurou o aquífero.

Uma comunidade local, Panguaçu, já iniciou extração de água e criação de plantação comunitária com a equipe do Projeto Leve Poços — com previsão de tornar o lugar “todo verde” em três meses. O custo do projeto privado foi menor do que o valor de uma única emenda parlamentar recebida pelo município — que nunca resolveu o problema.

“Se político deixar de ser vagabundo e as pessoas souberem cobrar, os problemas são resolvidos.”

Ver 2026-02-02 - A CIDADE DO NORDESTE QUE DERROTOU O CRIME e Desigualdade Regional e Migração Interna.

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Fontes