Gastrodiplomacia e Promoção Internacional da Culinária Brasileira

Renan Santos propõe a adoção da gastrodiplomacia como política de estado para promover a culinária brasileira no exterior como instrumento de soft power, desenvolvimento econômico e construção de marca-país.

Visita à Cooperativa Aurora: o vinho como produto estratégico (julho de 2026)

Em 3 de julho de 2026, Renan visita a Cooperativa Aurora, uma das maiores vinícolas do Brasil, e conecta sua proposta de gastrodiplomacia à realidade produtiva. Ele destaca que o vinho brasileiro já tem qualidade reconhecida internacionalmente (quase 1.000 premiações), mas precisa de escala e de políticas públicas de incentivo à exportação para competir globalmente.

Renan critica a tributação sobre o vinho como um entrave à gastrodiplomacia: o ICMS alto e os acordos de Mercosul tornam o vinho importado mais barato que o nacional, impedindo a indústria de crescer. Ele inclui explicitamente vinhos, queijos e azeites como produtos que receberão suporte federal à exportação em seu governo.

Ver 2026-07-03 - O vinho brasileiro pode decolar e eu te explico nesse vídeo.

A proposta (junho de 2026)

Em 6 de junho de 2026, Renan apresenta a proposta em seu canal. Ele cita os exemplos do Japão e da Itália — países que, apesar de terem feito parte do Eixo na Segunda Guerra Mundial, têm imagem positiva no mundo justamente por sua culinária — e de países como Tailândia e Peru, que praticam ativamente a gastrodiplomacia enviando chefs e subsidiando restaurantes no exterior.

A proposta inclui cinco medidas concretas:

  1. Política de denominação de origem para produtos brasileiros, seguindo o modelo europeu
  2. Fomento a produtos artesanais exportáveis nos setores de queijo, vinho e café
  3. Agregação de valor em toda a cadeia produtiva, em vez de exportar commodities baratas
  4. Rede de restaurantes brasileiros no exterior promovendo comida do Pará, mineira e baiana
  5. Churrasco diplomático presidencial — como presidente, Renan promete fazer pessoalmente churrasco servido com cajuzinho, maniçoba e muqueca em visitas internacionais

“A diplomacia vai ter churrasco, vai ter maniçoba e vai ter muqueca.”

O caso do açaí como produto-estratégico (junho de 2026)

Em 22 de junho de 2026, gravando no Pará, Renan usa o açaí como exemplo concreto do que a gastrodiplomacia pode alcançar. Ele mostra que as exportações de açaí saltaram de ~300 mil reais para 150 milhões de reais, mas ainda representam menos de 10% da produção total — a maior parte é consumida internamente.

Renan alerta que, sem uma política de promoção internacional, o açaí pode sofrer o mesmo destino da castanha de caju — produto de origem brasileira que foi apropriado por outras nações e hoje o mundo sequer associa ao Brasil.

As medidas que defende especificamente para o açaí:

  1. Vender o açaí já processado, não a matéria-prima bruta
  2. Criar marcas globais ligadas ao açaí — marcas brasileiras reconhecidas internacionalmente
  3. Usar chefs de cozinha brasileiros como embaixadores da culinária nacional, utilizando açaí como ingrediente
  4. Cooperativismo e crédito para ribeirinhos produtores
  5. Fim de restrições ambientais excessivas que impedem o desenvolvimento da cadeia produtiva

“O açaí saiu da mesa do ribeirinho e se tornou um produto nacional. Gostos à parte, o mundo tá se viciando na versão doce do açaí. Caso o açaí caia no gosto global, essa fruta vai deixar de ser um mero fruto e vai se tornar pepita de ouro.”

Ver 2026-06-22 - Virei um apanhador de açaí no Pará!.

Diagnóstico

Renan argumenta que o Brasil falha em se promover gastronomicamente: exporta grão de café e compra café pronto, é o maior exportador de carne mas o mundo só fala de carne japonesa e argentina, e mal é representado por algumas churrascarias nos EUA. Para ele, o problema não é o desconhecimento mundial, mas a falta de promoção pelo próprio Brasil.

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Fontes