Não vou fazer nada igual o Bukele
Em vídeo de resposta a quem interpretou como recuo sua entrevista na Sabatina da Globo News, Renan Santos afirma que não será “o Bukele”, mas “bem pior” para o crime organizado. Ele explica que as medidas adotadas por Nayib Bukele em El Salvador “em grande parte eu não vou adotar no Brasil” — porque “as medidas que nós vamos adotar no Brasil serão outras”.
A primeira medida detalhada é o estado de defesa. Renan lista as ações previstas na Constituição: restrição do direito de reunião, restrição ao sigilo de correspondência, prisão por crimes contra o Estado de até 10 dias e autorização para entrar sem mandado judicial na casa das pessoas. A diferença em relação a El Salvador: “Nós faremos isso apenas nas áreas controladas pelo crime.” Quem mora em Poços de Caldas (MG) ou Gramado (RS) não seria afetado; quem vive numa área controlada pelo crime “estará sob estado de defesa”, com as polícias autorizadas a vasculhar “como ratos” os membros do crime organizado.
Renan detalha o pacote de combate: financiamento de câmeras no modelo do Smart Sampa nas principais cidades, com reconhecimento facial dos membros do PCC, Comando Vermelho e outras facções; recompensa em dinheiro à população que ajudar a “caçar” cada vagabundo encontrado, “vivo ou morto”; e a divulgação de mapas de território no estilo dos mapas de guerra da Ucrânia — “áreas pintadas de vermelho na mão do tráfico ficarão verde amarelas na mão do povo brasileiro”. Ele chama a proposta de “um verdadeiro Big Brother da luta contra o crime”.
Renan anuncia ainda o que chama de “Nuremberg das favelas”, voltado à violência contra as mulheres: moças que sofreram abuso e violações poderão narrar o ocorrido ao Ministério Público e às polícias, e a violência sexual do passado entrará “na ficha suja do vagabundo que foi preso”. Policiais que cometerem abusos sob o estado de defesa “também sofrerão essa mesma punição, dado que trair o povo nesse momento é pior do que ser um traficante”.
Ele conclui que, com esses meios, não precisará copiar Bukele — “as medidas para o Brasil são diferentes as de Salvador. Mas assim como lá, vagabundo aqui vai sofrer. Eis a nossa declaração de guerra ao nosso estilo, falando português”, sem “interferência ou participação de nação estrangeira”. “Os policiais terão a sua vingança, a população terá sua paz.”
Temas abordados
- Segurança Pública — estado de defesa, guerra contra o crime organizado e reconhecimento facial
- Estado de Defesa e Direito Penal do Inimigo — mecanismos de exceção focados em territórios controlados pelo crime
Posições defendidas
- Estado de defesa restrito às áreas controladas pelo crime, com entrada sem mandado e prisão por crimes contra o Estado
- Câmeras com reconhecimento facial dos membros de facções nas principais cidades
- Recompensa em dinheiro pela localização de criminosos (“vivo ou morto”)
- “Nuremberg das favelas”: inclusão da violência sexual do passado na ficha criminal de presos
- Punição de policiais que abusarem durante o estado de defesa
Pessoas mencionadas
- Nayib Bukele — contraponto: Renan diz que não copiará o modelo salvadorenho, será “bem pior”
