Não irei cumprir decisões de ministros que tenham envolvimento com corruptos. Simples assim.

Nota de atribuição e de qualidade: as perguntas do entrevistador — identificado apenas como “Marcela” pela forma como Renan a interpela — estão marcadas na transcrição e não são atribuídas a Renan. Cada trecho da legenda automática aparece triplicado na mesma linha; o conteúdo foi lido deduplicando as repetições. A transcrição também traz ruídos de reconhecimento (“uma lição majoritária” por “uma eleição majoritária”; “esses magistrados que […] na maior parte estão envolvidos em escândalo de corrupção”), que não alteram o sentido mas são registrados aqui.

Em 18 de setembro de 2026, em trecho de entrevista, Renan Santos é questionado se, não cumprindo decisões do STF que considere ilegais, pretenderia usar as Forças Armadas para se defender. Ele responde com o princípio que repete desde agosto: “de maneira clara, nenhum cidadão é obrigado a cumprir decisão ilegal. Não é um só [o] presidente da República”. Em seguida, aplica-o nominalmente ao caso: “especialmente esses magistrados que na maior parte estão envolvidos em escândalo de corrupção, não as cumprirei porque seria a prevaricação eu participar de um ato ilegal”.

Sobre o emprego das Forças Armadas, ele inverte o ônus: “eles que chamem as forças armadas, eles que derrubem um presidente honesto e eleito. Aí eu que chamo eles para brigar, eu quero ver se eles vão para cima”. Quando a entrevistadora objeta que o arranjo levaria a “um processo meio anárquico” em que “cada um vai decidir o que faz”, com base em critério “muito subjetivo”, Renan responde: “Marcela, mas você já tá vivendo isso. Não sou eu que inventei isso”.

Ele então apresenta um diagnóstico em três pontos sobre a ordem institucional brasileira: primeiro, “hoje, milhões de brasileiros vivem sobre o jugo do crime organizado, vive[m] sobre uma lei paralela. Portanto, não tem estado de direito”; segundo, “as eleições são compradas no Brasil, como a compra de voto é regra para as populações mais pobres”; terceiro, “os membros da Suprema Corte estão todos envolvidos em escândalo de corrupção”. A partir disso, ironiza a expectativa de que uma decisão de Alexandre de Moraes fosse “republicana e não baseada nos seus interesses próprios e particulares”, e sintetiza: “seria muito mais insano da minha parte falar que eu aceitaria uma decisão de um ministro que serve ao Daniel Vorcaro”. Conclui que “a gente fica fingindo que há um estado de normalidade quando não há. Já vivemos nessa anarquia. Fingir demência é fingir que essa anarquia é normal”.

Renan atribui ao presidente da República a função de conduzir o restabelecimento: “o presidente tem que participar do restabelecimento [da ordem constitucional]. Ele é o único que tem autoridade para isso, porque ele foi o único a vencer uma eleição majoritária. Portanto, ele se reveste de legitimidade popular para poder restituir algo que está caótico”. Questionado se concentrar esse poder no presidente não configuraria uma ditadura — e se montar um partido e disputar a via institucional não seria contraditório com essa fala —, ele nega: “contraditório é falar que eu quero ser um ditador ao mesmo tempo que eu quero participar do jogo político por vias democráticas […] e montar um partido”. E arremata: “se eu estou optando por uma via democrática institucional através de um partido político e não através de um golpe de estado, é porque literalmente eu sou um democrata institucionalista, literalmente no sentido mais perfeito da palavra”.

Temas abordados

Posições defendidas

  • Recusa de cumprimento de decisões ilegais, com a fundamentação de que cumpri-las configuraria prevaricação: “nenhum cidadão é obrigado a cumprir decisão ilegal”
  • Não uso das Forças Armadas pelo presidente para se defender: a iniciativa de chamá-las, diz, caberia a quem quisesse “derrubar um presidente honesto e eleito”
  • Restabelecimento da ordem constitucional conduzido pelo presidente, com base na “legitimidade popular” de quem venceu a eleição majoritária
  • Autoapresentação como “democrata institucionalista”, rejeitando a acusação de que pretende uma ditadura
  • Ver Recusa de Cumprimento de Decisões Ilegais do STF e Manifesto contra o STF e Calendário de Atos

Pessoas mencionadas

  • Alexandre de Moraes — citado ironicamente como autor de decisão que ele não consideraria republicana
  • Daniel Vorcaro — Renan diz que não aceitaria decisão de “um ministro que serve ao Daniel Vorcaro”
  • Marcela — entrevistadora que questiona o risco de anarquia e a acusação de ditadura; não é identificada por sobrenome na transcrição

Fonte