Em abril de 2026, Renan Santos está percorrendo o estado do Maranhão de carro como parte de sua pré-campanha presidencial. Os vídeos gravados durante essa viagem tratam recorrentemente da precariedade da infraestrutura estadual.

Estradas

Na rodovia estadual MA-06, Renan mostra crateras e buracos ao longo do trajeto que liga o norte ao sul do estado, descrevendo a estrada como “basicamente um lixo” e comparando o percurso a uma amarelinha. Critica o governador Carlos Brandão pela ausência de pavimentação e ironiza a promessa recorrente de “bloquetes” em ano eleitoral. Entrevista trabalhadores transportados em caçambas que dizem que “se não tiver estrada, não vai sair voto” na região.

Em outro vídeo, Renan comenta o estado geral das BRs e estradas do Nordeste como evidência do descompasso entre a carga tributária brasileira e os serviços públicos efetivamente entregues.

Em 9 de abril, durante o trajeto até Balsas, Renan furou dois pneus de uma vez numa BR federal sem sinalização, e usou o incidente para denunciar o risco a caminhoneiros e a mulheres dirigindo sozinhas. Ver 2026-04-09 - Problemas de pré-candidato que não tem jatinho - pneu furado no Maranhão.

Ponte de Estreito

A antiga ponte de Estreito, construída antes do regime militar e com 64 anos de uso, desabou em 2024 e matou 14 pessoas. Renan visita o local em abril de 2026 e denuncia: R$ 20 milhões de sobrepreço sob investigação por superfaturamento na nova ponte, e nenhuma das 14 famílias das vítimas foi indenizada. Maranhão e Tocantins — descritos por Renan como “desproporcionalmente favorecidos pelo pacto federativo” — teriam omitido manutenção por décadas. Ver 2026-04-09 - Você lembra dessa ponte aqui.

Efeito das denúncias: competição entre Brandão e Braide (abr/15)

Em 15 de abril de 2026, ao final de sua viagem pelo estado, Renan registra uma consequência inesperada de suas denúncias: o governador Carlos Brandão e o prefeito de São Luís Eduardo Braide passaram a competir para anunciar obras de infraestrutura e limpeza urbana após a repercussão dos vídeos. Renan ironiza o episódio, mas declara que é exatamente essa competição que deseja ver — e cobra que ela se estenda a saneamento básico, redução da dependência do Bolsa Família e aumento da atividade produtiva. Ver 2026-04-15 - Essa é a competição que quero ver.

Também em 15 de abril, Renan registra o sexto pneu furado de sua equipe durante a viagem (três em seu carro e três no veículo de apoio), ao tentar visitar a fazenda do deputado Everton Rocha (PDT-MA) em região de estradas sem pavimentação. Ver 2026-04-15 - Eu fui na fazenda DELE. Você sabe o nome dele.

Calamidades e descaso

Em Buriticupu, cidade ameaçada pelo avanço de voçorocas, Renan denuncia que dezenas de milhões em repasses federais e estaduais foram destinados à contenção da erosão, mas as obras “nem sequer se iniciaram”, e casas construídas pelo governo federal para as famílias desalojadas estão se deteriorando sem ocupação.

Propostas estruturais

A partir do caso da ponte de Estreito, Renan sistematiza sua proposta para infraestrutura:

  • Redução dos gastos públicos para abrir espaço a investimento.
  • Simplificação legal e segurança jurídica para obras.
  • “Seguro anticorrupção” para garantir obras no prazo e sem superfaturamento.
  • Plano de metas obrigatório para governadores, com perda de direitos políticos em caso de descumprimento.

Potencial econômico regional

Em Marajá do Sena — apresentada como a cidade de menor IDH do Brasil — Renan defende que o estado atue junto do setor privado para aproveitar potencialidades locais. Cita como exemplo o babaçu na região da Mata dos Cocais: produção de farelo e óleo, com industrialização local para gerar empregos e reduzir a dependência de transferências federais.

Já em Balsas (MA), no sul do estado, Renan apresenta o modelo oposto que gostaria de ver generalizado: a refinaria da Inpasa, que transforma milho do Matopiba em etanol para exportação pelo Porto de Itaqui. Ver Agronegócio e Matopiba e 2026-04-10 - Povo do Maranhão, hora de falar BEM de vocês.

Via Dutra e a ligação São Paulo — Rio de Janeiro

Em 25 de março, parado na Via Dutra por acidente na Serra das Araras, Renan documenta o que classifica como “crise de infraestrutura crônica”: a principal ligação rodoviária entre os dois maiores estados do Brasil é “muito simples, muito precária”. Um único acidente com caminhão paralisa o PIB brasileiro. Estima-se “poucos bilhões de reais” para duplicar a Dutra — menos do que o custo de um ano de emendas parlamentares sem fiscalização.

Proposta: duplicação da Dutra e trem de alta velocidade São Paulo — Rio de Janeiro para cargas e passageiros. Ver 2026-03-25 - FIQUEI PARADO NA DUTRA NO MEIO DA MINHA PRÉ-CAMPANHA.

Ponte TO-MA: análise causal

Em 23 de março — antes da visita física ao local em abril —, Renan analisa o colapso da ponte entre Maranhão e Tocantins no final de 2024 a partir de imagens enviadas por moradores. Três culpados identificados: (1) gasto federal inflado que retira espaço para investimento; (2) governadores péssimos dos dois estados — no Tocantins “praticamente todos os governadores desde os anos 2000 foram presos ou afastados”; no Maranhão, de Flávio Dino até a família Sarney; (3) população que não cobra e reelege os mesmos. Ver 2026-03-23 - Novos vídeos sobre a ponte que desabou entre Tocantins e Maranhão.

Caminhoneiros e infraestrutura logística

Em 20 de março, Renan sistematiza sete medidas para o setor de transporte rodoviário: tabela dinâmica de frete, produção interna de diesel, biodiesel, corredor elétrico para caminhões, atualização do limite do MEI para R$ 350 mil (parado em R$ 251 mil por 12 anos desde 2014), aumento das penas para roubo de carga com agravante para uso de jammer, e desenvolvimento de ferrovias e hidrovias (Ferrogrão, hidrovia Paraná-Paraguai e hidrovia Tocantins-Araguaína). Ver 2026-03-20 - Os caminhoneiros vão entrar em greve.

Fontes