Favelados não são cidadãos

Questionado sobre o que quis dizer ao afirmar que quer “transformar favelados em cidadãos”, Renan explica que a Constituição garante direitos — liberdade, propriedade, habitação — mas que se tratam de “direitos nominais”: “Eu colocar um direito num papel não significa que ele se realiza na realidade.” Segundo ele, ninguém na favela dispõe desses direitos na prática. Torná-los cidadãos é “uma constatação” de que há uma parte do povo brasileiro tratada “como bicho, às vezes nem sequer como gente”.

A cidadania que ele defende passa por moradia, viver num bairro decente, ter emprego perto de casa e não precisar se submeter ao bandido. Renan afirma que os moradores de favela são vítimas do “tipo mais baixo de banditismo”, citando realidades que compara ao Haiti e a lugares na África.

Ele esclarece o que é sua política de desfavelização: não é pegar uma retroescavadeira e derrubar casas, mas “tornar o que a gente chama de favela em bairro”. Isso inclui levar esgoto e água encanada, acabar com a taxa altíssima de tuberculose em favelas (causada pela umidade dos becos), reduzir a gravidez na adolescência e os casos não reportados de violência contra a mulher, que não denunciam por medo. Pessoas assaltadas, abusadas ou agredidas também deixam de reportar crimes — tudo agravado pelo controle das facções.

O plano virá com título de propriedade, corte de gastos do governo e um programa nacional de desfavelização. Quem mora em encosta será transferido para prédios; quem mora em bairro plano em urbanização terá o ambiente adequado — ruas, saneamento, iluminação e escola. Renan chama a desfavelização de “a coisa mais republicana” e “o maior programa social do nosso governo”, com meta de transformar a paisagem urbana do Brasil em pelo menos 15 anos: “País sério no mundo não tem favela. Não existe país sério com favela.”

Temas abordados

Posições defendidas

  • Desfavelização: tornar favela em bairro com saneamento, iluminação, escola e título de propriedade, em até 15 anos
  • Direitos “nominais” da Constituição não se realizam sozinhos — é preciso executá-los na realidade

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